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Jan 14, 2007
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Posted at 06:10 am by rfelipe
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Ainda não sabemos do que um corpo é capaz, de que afectos é capaz. Há um belo exemplo, do polidor de lentes, Spinoza. O exemplo do carrapato. E a sugestão de começarmos com um animal de uma multiplicidade de afectos relativamente menor é apropriada. Um carrapato é capaz de ficar cristalizado, inerte, em uma espécie de estado de hibernação, dado como morto, um devir_mineral, por um longo tempo... semanas, e isso para um carrapato é quase uma eternidade. E assim ele fica até que um corpo_outro cruze o seu espaço, seu território, atravesse a fronteira em uma distância menor, que permita um encontro, daí, de um salto só, o carrapato se lança ao encontro com um corpo de outra espécie (melhor se for um corpo de sangue quente). A vida de um carrapato, que antes estava no registro de um tempo vazio, passa agora a funcionar de outra maneira. Um carrapato “sabe”, ou melhor, sente, que agora que “começou” a viver, de outra maneira, ele tem poucas horas de Vida, uma Vida intensiva. Ele come, caga e procria. Ao final de uns poucos dias ele está morto. Poderíamos separar e interpretar esta cena, Hegel nos ajudaria com sua dialética. Teríamos de um lado, se assim o quiséssemos, um parasita e um hospedeiro. Mas um carrapato não conhece Hegel, dispensa a sua dialética, nem quer a ele(a) ser apresentado, da mesma forma, aqui vale a pergunta, como numa dança, vale a pena, para um corpo, com Hegel dançar? Ou seria melhor buscar outros pares? Você dança(ria) com um corpo? Sim, o Bigode (Nietzsche) e tantos outros morrem, sem cessar, mas nós sabemos que no morrer não há morte, e os estóicos também sabiam disso (antes de tb morrerem). Existe uma potência no trapo, na fragilidade, na doença (que aqui não merece ser compreendida como o contrário de saúde, mas como um modo de saúde diferente. Tampouco saúde e/ou doença, aqui são estados, mas movimentos). E uma possibilidade de efetivar conexões, o que permite a entrada de ar na arte, mesmo quando a proposta nos lança a um m-ar de águas densas, em que após o mergulho voltamos à superfície com olhos_vermelhos_provocantes.
Posted at 06:04 am by rfelipe
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Jan 7, 2007
Conexões entre desejo, política, arte e cotidiano:
.:Esquema (de) disparador, ou dispositivo de ação:.
"É preciso falar da criação como traçando seu caminho entre impossibilidades". (Gilles Deleuze)

Fazer micropolítica! (Teremos como norteador o paradigma ético-estético-político, elaborando estratégias e táticas de Micropolítica, conforme nos inspira Guattari, referindo-se aos efeitos de subjetivação, conjunto de fenômenos e práticas capazes de ativar estados e alterar conceitos, percepções e afetos, ou seja, modos de pensar-agir-sentir, produzindo diferença.). Pela visão macropolítica as soluções só se dão no campo das políticas públicas, apenas no mundo das formas, dos significados postos, que são geradores de um paternalismo e de uma relação de dependência que nos aprisiona no mundo isolado de uma burocracia tão distante, inalcançável e inabalável. É preciso abandonar, sair, fugir do julgo paternalista, oriundo de leituras tristes e equivocadas de um marxismo radical, "a tomada de consciência", a "constatação" são termos que fizeram história, que fizeram parte de uma história, mas que hoje estão, há muito, ultrapassados, dadas as velocidades de nossa contemporaneidade tardia. Tal ordenação instituiu toda uma tipologia em dicotomias: sujeito e sociedade, uma divisão de classes com fronteiras intransponíveis. Eis uma espécie de paternalismo que nos conecta com paixões tristes (a la Spinoza), estamos sempre à espera de algo: Esperamos muito de um papai, do governo, das entidades de classe... sempre de braços cruzados, ou melhor seria, atados? Esperamos destes a solução para os nossos problemas, mas somos nós mesmos que inventamos os nossos problemas, e sabemos como ninguém quais as melhores maneiras de sairmos de um problema. O importante é sair de um problema, inventando outros, outras saídas, outros modos... Cabe o alerta de Bergson, ampliado por Deleuze, quando estes nos dizem que temos de trabalhar com prudência, pois o efeito de um falso problema é muito mais avassalador do que o efeito de uma resposta errada/falsa a um problema. É necessário trabalharmos numa espécie de geografia política do povoamento, ou como queiram, uma geografia dos afectos (D&G), que é um dos muitos nomes possíveis para designar o plano de imanência que constitui a Esquizoanálise. É preciso trabalhar por alianças e conexões, buscando de fato as conexões que ampliem traçados, que elasteçam linhas de toda espécie, com as quais nos movimentamos. Trabalhamos com uma conexão ampliada de saúde, que se conecta às idéias de Canguilhem, para quem saúde é movimento (doença, por sua vez, é uma espécie de movimento de saúde diferente). E aqui vemos claramente uma primeira distinção entre instituído e instituinte. Temos a idéia equivocada de que a saúde é um estado a ser alcançado, quando na realidade, a saúde é um efeito de lutas árduas, de constantes batalhas, de um movimento e um embate de forças de todo tipo. Nossas moléculas, aos bandos, digladiam sem cessar. A idéia de movimento aqui se faz necessária. Nem todo grupo faz um movimento, e a existência de um grupo também não garante o surgimento de um coletivo. Um grupo pode consistir apenas em um aglomerado de indivíduos, indivisos, competitivos, fechados em seu mundinho, e em suas questões pessoais. O coletivo se institui entre as questões individuais e coletivas, neste espaço fronteiriço através do qual circulam poderes, afectos, idéias, conceitos. (...)
_r.feli_pe.
Posted at 10:01 am by rfelipe
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Dec 16, 2006
çççççççççççççççççççççççç
(listening to Cymbal Rush, performed by Thom Yorke and Jonny Greenwood)
O minimalismo dos pingos de chuva, e a corrida desenfreada da enxurrada. Água no terreiro, cachoeira, ou seria melhor falar de uma "exú_rrada"?
Eu quero m_olhar para cima, e ver (d)o céu um monte de outras cores... não apenas as formas, mas as sensações. Não apenas carneirinhos, mas um bando de lobos ( a matilha_alcatéia).
cbcbcbcbcbcbcbcbcbcbcbc
Posted at 06:12 pm by rfelipe
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Nov 29, 2006
Posted at 10:23 am by rfelipe
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………………………………..speed ! you just wouldn't believe it ! SPEED!……………………………….speed ! you just wouldn't believe it ! SPEED!……………………………….speed ! you just wouldn't believe it ! SPEED! (AtariTeenageRiot)
FF>>
Avançar. Fast-Forward! Fast-Forward! Fast-Forward! Um corpo pode o que pode um corpo. Ou, um corpo já nem bem pode o que pode um corpo. O que pode um corpo? (aquela pergunta cujo retorno faz persistir...repete, insiste, repete) relações de velocidades e lentidões, cujos fluxos configuram, no instante mesmo em que se desmantelam, partículas rítmicas de existência, sempre transitórias, quase sempre arbitrárias.
A velocidade da luz, ambição de outrora, hoje luz da velocidade, mas só há encontro quando uma distância, mesmo que mínima, é instaurada em uma duração. (Distância=Velocidade X Tempo). A velocidade da luz faz sombra?
Flows, we're nothing but flows. Flows, Flowers, flyes. devir_orquídea_vespa, numa mais valia de código. Ganhos de velocidade na escrita sempre movente. São hoje os dedos que não acompanham a velocidade de um pensamento, ou o contrário?
Toda uma arquitetura das transparências arredias, hoje aglomerações de sujeitados em espaços de passagem, de deslocamento, que não foram projetados para atrasos de vôo(s). De um projeto ao projétil, uma bala perdida, e o passo que tinha de ser dado, uma vez que se hesita... passo nenhum há. Não há passo dado, não há dado. Não há a priori, mas um tempo presente, ou melhor, há o que há em tempo presente. Um presente dissecado, limado, raspado e isento de futuro, e também de passado, tal como os estóicos o concebem. Transmissões em tempo real? Trans_Missões, nos espaços entre_trans, e entre espaços, lisos e estriados. Apenas expressões de incorporais no plano imanente chamado Intenet.
Capturaram o soco de uma polegada do Bruce Lee, e medindo-o em um laboratório chegaram à conclusão que este golpe alcança a velocidade de 12m/s, o suficiente para atravessar uma quadra de basquete em 1 segundo. Não era um soco tão forte, se comparado ao dos pugilistas peso-pesado, mas o suficiente para machucar, distrair e desequilibrar um oponente de peso, tal qual Chuck Norris.
Posted at 10:20 am by rfelipe
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Nov 1, 2006
Oo.
doo_
“Doo do doo do doo do doo Do doo do doo
When you come near to me I go away What is not clear for me I go away What is not here for me I go away I go away I go away (…)”
- “Um pouco de café, senão eu sufoco.”-
...doo_
Gostei do café, gostei mesmo, do café que você fez/preparou, forte e ligeiro, escuro e misturado como as luzes de um puteiro, mas isso pouco importa quando o cinza das horas nos interpela. É tempo de acordar para ver o mundo girar em espirais, de um(a) cor_ação. Ou de várias cores, em múltiplas ações. Bastaria uma afecção, mas até isso em nosso instante fugidio nos é negado. O nosso instante nos é negado. Falar de tempo sem falar de espaço, que aberração insólita. Apesar das afecções, e digo isso no plural, pois não há afecção que seja, no singular, há afecções que singularizam, o que é bem diferente, a bem-dizer da_diferença. Da sutil diferença nossa de todos os dias, ou de raridades póstumas, mas nunca tardias, do infinitesimal de Tarde a um pôr do sol de fim de tarde, unindo-nos aos que nos escapam, aos que acontecem, e, no entanto não são cabíveis de registro, no dia-a-dia-cotidiano de quase nunca. “We're like dreamers, in nice colors Childlike__, dreamers Underwater(…)” Sonhar_acordado_acordando, em cores primárias que se misturam no tubo lusco-fusco refletido na borra de café. É preferível tentar adivinhar o futuro a interpretá-lo. Uma heurística a uma hermenêutica. Da incompreensão, pois tal como o Bigode, prefiro o canto dos pássaros a um Kant uníssono_fanho, imperativo_de_morte. Prefiro G que nunca freqüentou uma Universidade e que junto a D queria tudo menos uma Escola. Prefiro um devir_criOnça_hiperativa, sem ritalina, é claro_, dando piruetas e giros sufis, dervishe_nijinski_ninjutsu, de uma fragilidade absoluta, e de uma afirmação na potência de agir também absoluta. Um Borges desprovido de olhos e de tato, mas com língua e olfato apuradíssimos a pedir por mais uma xícara de café. Por favor, não cesse de nos abastecer com café nesta miríade repleta de ausências, falhas de memória, quebras de decoro, dentro e fora da Biblioteca de Babel. Café escuro, pois café _claro é chá(to).
Childlike__
Chegamos até aqui, tateando, mancando, e com quem viemos? Não conseguimos arrastar a multidão. Pior, eles nem nos amam, nem nos odeiam. A indi(e)ferença aqui neste pedacinho de terra, nesta ilha virtual, uma Tortuga entre tantas, tipo um orkut-putzgrillah. Um pirata certa vez gritou: “Terra a vista!”, e um outro respondeu: “que se dane, não temos dinheiro. Vamos tentar no crediário”. Pois bem, estamos moídos, sem reação diante dessa tremenda liquidação. Liquidação de espaços-tempo, de campos de afecção, de experiência. Prefiro as ações à reação, apesar de que é bem por causa de certas ações, e não de outras, que o imperialismo cresce desenfreado, a passos largos. Antes eram os deuses ativistas, hoje, quiçá, os acionistas. Derrotaram os alckimi(n)stas, mas não conseguiram roubar deles o segredo da transmutação de algo em algo-outro. Como pode? Aliás, interessa-nos tanto o que pode, como o que não pode, pois traçar um caminho entre impossibilidades, é o mesmo que parar numa esquina para tomar um café entre os camaradas.
Posted at 08:24 pm by rfelipe
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Oct 11, 2006
- hum... onde, como, quando, quanto?!
Eis um big problema! E como dizia o saudoso jovem Chico-Ciência, "O problema são problemas demais...", Já Bergson nos pedia prudência na formulação de problemas, ressaltando a importância de se saber elaborar perguntas/problemas "(...) uma resposta equivocada produz um efeito ínfimo, se comparada ao completo desastre de uma pergunta/problema mal formulado". Branca-de-Neve, ao acordar de seu sono profundo, perguntou: "Quem sou eu? Onde estou?", no momento mesmo em que recebia um beijo do belo príncipe. Um beijo, eis a resposta, do belo príncipe! Sontag dizia que "as melhores respostas são as que destroem por completo a pergunta", já Deleuze recomendava sair das perguntas, ao invés de respondê-las, ao mesmo tempo em que nos alertava para o vasto número de perguntas feitas para respostas esperadas, e respostas fabricadas para perguntas previsíveis.
Posted at 09:52 pm by rfelipe
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Sep 2, 2006
Posted at 02:07 pm by rfelipe
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:::::::::::::::::::::::Saúde.
Sabemos que o conceito de saúde tem o seu território ampliado pela força da fragilidade, que Deleuze soube bem destacar em figuras notáveis como Nietzsche, Spinoza, Bergson, que contavam com uma saúde, digamos, assaz delicada, da qual extraíram uma potência criadora-produtiva intensa e contagiante, potência de afirmação da Vida enquanto movimento instituinte contínuo, que engloba por imanência inclusive o seu desfecho final, a morte. Entendamos, pois, a saúde não como um estado a ser alcançado, ou conservado, mas sim, enquanto movimento de afirmação da Vida. E a doença, também como um modo de vida, só que diferente, segundo as contribuições de Canguilhem, que trouxe novo fôlego a esta discussão. Médico de formação, e antes disso filósofo e professor, Canguilhem exerceu a medicina propriamente dita apenas quando a França esteve envolvida nos acontecimentos da II Guerra Mundial. Integrado ao Movimento de Resistência, durante este período ele socorreu inúmeros camaradas feridos nas frentes de guerrilha contra a ocupação. (to be continued...)
Posted at 01:55 pm by rfelipe
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